terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Gestão da sala de aula: você seguro em classe
O sucesso da aula depende da interação entre todos, além de sua capacidade de se antecipar e se preparar para imprevistos. Veja como se sair bem em 20 situações difíceis.
Fernanda Salla (novaescola@fvc.org.br)

Professora Valéria Aparecida Dutoit, da EMEF Comandante Gastão Moutinho. Foto Vivian Koblinsky. Ilustração: Pedro Hamdan
Professora Valéria Aparecida Dutoit, da EMEF Comandante Gastão Moutinho

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Como você se sente na hora em que abre a porta da sala e entra para dar sua aula? Confiante ou apreensivo? Quem leciona sabe que a tensão vem quando não se está bem preparado. O planejamento é um pré-requisito para o seu trabalho - não há dúvida. Mas, na hora de colocá-lo em prática, o que fazer se um aluno não entende o que você pediu? E se faltou tempo para terminar a tarefa? Pior: se as crianças começam a brigar? Nem os educadores experientes estão livres de momentos como esses. "Ter uma boa gestão da sala de aula ajuda a contornar problemas desse tipo. O professor tem de dar conta do previsto, lidar com o inesperado e administrar a rotina para que todos aprendam", diz Rosaura Soligo, coordenadora de projetos do Instituto Abaporu de Educação e Cultura, em Salvador. 

No livro Ensinar: Agir na Urgência, Decidir na Incerteza (208 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 60 reais), Philippe Perrenoud diz que as particularidades da sala de aula fazem com que o professor enfrente uma série de impasses sobre como atuar e precise manter o equilíbrio entre fazer o planejado e não reprimir os alunos. "Esses dilemas não conseguem ser totalmente superados pela experiência nem pela formação. No entanto, a consciência de que eles ocorrem ajuda a conviver com a complexidade." O sucesso do ensino depende de vários fatores, como a interação entre as crianças e a relação delas com você e com o objeto de conhecimento. Para planejar levando em conta a personalidade e o nível de aprendizado de cada um, é preciso observar, fazer diagnósticos e analisar a produção deles com frequência.

"Toda semana, troco impressões e sugestões de atividades com os colegas que são ou já foram professores da minha turma e com os gestores", conta Carla Jandrey, professora de Matemática, Física e Química do 9º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Sagrada Família, em Santa Cruz do Sul, a 150 quilômetros de Porto Alegre. Informações valiosas como as levantadas por Carla servem de base para pensar nos objetivos de aprendizagem e eleger projetos e atividades desafiadores para todos.

Outra vantagem de conhecer bem a turma é conseguir antecipar situações que podem surgir durante a aula. Assim, você já leva na manga algumas intervenções alternativas para elas. "Além de escolher e preparar os recursos necessários, calcular o tempo do trabalho e saber como organizar a sala, o professor precisa prever como as crianças reagirão diante do que vai apresentar. Dessa forma, ele garante um preparo mínimo para resolver possíveis problemas", diz Andréa Patapoff Dal Coleto, docente do Programa de Educação Infantil e Ensino Fundamental (Proepre) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Tem coisas que acontecem em toda sala, como um aluno ser bem mais rápido do que os colegas. Outras dependem de cada criança e atividade e pedem intervenções individuais. Por isso, passo nas mesas para atender todos", diz Valéria Aparecida Dutoit, professora do 3º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Comandante Gastão Moutinho, na capital paulista. 

Às vezes, no entanto, não tem jeito. Mesmo quem faz um planejamento cuidadoso pode ser pego de surpresa. Para se sair bem dessas circunstâncias, a experiência conta muito. "Fazer registros e analisar a prática permitem saber o que deu certo e o que não foi bom e pensar nos motivos que levaram àquele resultado", diz Celso dos Santos Vasconcellos, diretor do Libertad - Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica, em São Paulo. Essa prática faz parte da rotina de Marci de Flório Almeida, professora de Educação Infantil da Escola Municipal Educadora Yolanda Conti Bertoni, em Guaxupé, a 478 quilômetros de Belo Horizonte. "Anoto diariamente observações da aula, faço um relatório reflexivo semanal e mostro para a coordenadora pedagógica. Depois, conversamos sobre como aprimorar minha prática." 

Com o auxílio de especialistas da área, além de Carla, Marci e Valéria, que estão diariamente em classe, NOVA ESCOLA listou 20 situações enfrentadas com frequência pelos professores e indica, nas próximas páginas, como proceder diante delas. A reportagem deve ajudar você a aprimorar sua gestão da sala de aula e entrar em classe mais confiante.


Como resolver falhas na interação

A maneira de conduzir a relação entre os alunos, interagir com eles e propor as atividades interfere na aprendizagem. Veja como você pode atuar nas situações em que há problemas de comunicação

Os estudantes não entendem as orientações
Os estudantes não
entendem as orientações. Ilustração: Pedro Hamdan
"Quando uma proposta tem um resultado ruim, o problema pode estar na consigna malfeita", diz Rosaura, do Instituto Abaporu. Ao apresentar uma atividade, use exemplos e explique de várias maneiras o que deve ser feito. "Eu peço que os alunos digam o que entenderam da minha orientação. Assim vejo se tudo ficou claro", afirma a professora Carla, que leciona para turmas do 9º ano. Circular pela sala e observar como as crianças estão realizando a tarefa também funciona. Nesse momento, você pode intervir caso ainda haja dúvida e garantir que todos trabalhem bem.


A turma acha que toda regra é negociável
Os combinados são uma maneira eficiente de fazer a gestão democrática da sala. Eles podem ser sobre a organização da classe e dos materiais, por exemplo, mas, para pontos como os horários das aulas e a não-tolerância a agressões, não existe negociação. Com relação a questões dessa natureza, é preciso se valer de sua autoridade, mas sem ser autoritário. "Eu converso com as crianças e explico o motivo de a regra existir para que todas percebam a necessidade dela. Nessa discussão, mostro o que acontece quando uma norma desse tipo é quebrada", conta Marci, professora de Educação Infantil.

O aluno só responde quando tem certeza
Incentive a criança a dar uma resposta também quanto ela tiver dúvidas. Mesmo que a conclusão dela esteja errada, alguns colegas podem ter feito o mesmo raciocínio. Peça que ela explique o que pensou. Para ajudá-la a reconstruir esse caminho, faça perguntas. Também não se contente quando um estudante acertar. Ele vai aprender mais se você pedir que justifique sua conclusão. Quando temos de contar aos outros algo que sabemos, desenvolvemos outra valiosa habilidade. Por fim, instigue os demais a dizer se concordam com a opinião dada e apresentem as razões.
Algumas crianças não interagem


Algumas crianças
não interagem. Ilustração: Pedro HamdanPasse sempre pelas carteiras para verificar se todos estão participando das atividades realizadas em duplas ou em grupos. Cabe a você ensinar a garotada a produzir de forma cooperativa. Valéria, professora do 3º ano, conta que quando começou a propor agrupamentos percebeu que a falta de familiaridade com esse formato era uma dificuldade para muitas crianças. "Eu ajudava na organização da equipe. Pedia que me dissessem a função de cada um e como tinham estruturado o trabalho. Com o tempo, elas passaram a se organizar com mais autonomia."

Há muita conversa durante as atividades
Interação não tem nada a ver com indisciplina. "Uma sala que valoriza a troca de ideias é ruidosa porque as crianças falam, argumentam, compartilham e questionam soluções e hipóteses. Essas situações de diálogo favorecem o desenvolvimento cognitivo", afirma Andréa, da Unicamp. Para que a aula não vire bagunça, observe se a discussão gira em torno do tema proposto. Caso a conversa seja sobre outra coisa qualquer, ajude o aluno a retomar o foco de onde parou. Uma maneira de fazer isso é lançar algumas perguntas que estimulem todos a refletir com você sobre o assunto que está sendo estudado.

Nem todos são ouvidos no decorrer da aula
Muitas vezes, é difícil prestar atenção em todos os alunos e você pode acabar interagindo só com aqueles que se sentam perto da sua mesa. É importante, porém, assegurar que cada um tenha a oportunidade de ser ouvido, inclusive os da "turma do fundão". Uma estratégia é priorizar em cada momento da aula a participação de alguns estudantes. "Quando estou fazendo a sistematização de um conteúdo no quadro, chamo os que ainda não se manifestaram", conta Valéria.


A classe se mostra desmotivada. Ilustração: Pedro Hamdan
A classe se mostra desmotivada

Situações instigantes e projetos bem elaborados são o que costuma motivar os estudantes. O que você propõe deve fazer sentido para eles. Esteja sempre atento aos pontos de vista e aos interesses da turma. "Meus alunos querem mostrar suas opiniões. Por isso, reservo momentos para argumentarem sobre temas variados", conta Carla. Outras dicas básicas: variar sempre as atividades, usar diferentes recursos, como os tecnológicos e os jogos, e estimulá-los a querer saber mais. "A curiosidade leva em direção ao novo e estimula o conhecimento", afirma Andréa.

O que é possível antecipar

Prever problemas que podem surgir durante a aula para preparar antes as intervenções ajuda você a se fortalecer perante a turma. Confira alguns fatos corriqueiros em sala e formas de lidar bem com eles

Um aluno termina a tarefa antes dos demais. Ilustração: Pedro Hamdan
Um aluno termina a tarefa antes dos demais

Evite que os mais rapidinhos fiquem de bobeira, sem aprender nada e ainda atrapalhando os colegas, tendo sempre uma atividade extra preparada. Na Educação Infantil, Marci resolve isso com cantos de atividades. "Além das propostas planejadas para alcançar os objetivos de aprendizagem, mantenho vários deles. Quando alguém termina o que foi pedido, sugiro que escolha um." Os temas são decididos com a turma toda semana. Já Valéria mantém um espaço de leitura na classe do 3º ano, com livros, gibis e revistas. "Seleciono parte dos materiais de acordo com os assuntos vistos em aula."

Alguns estudantes não sabem o conteúdo
Para dar conta da turma toda, vale planejar atividades paralelas, de acordo com os diferentes níveis de conhecimento dos alunos, e acompanhá-los de forma individual. Mas, se a maioria tem a mesma dificuldade, reserve um tempo para revisar o conteúdo coletivamente e elabore uma estratégia alternativa para ajudar quem precisa avançar. "Quando estudamos equação de segundo grau, identifiquei que muitos ainda erravam cálculos de números negativos. Preparei uma proposta para retomar o assunto envolvendo a análise de extratos bancários para que entendessem a ideia de ter e dever", conta Carla.


A garotada só responde sim e não

Quando isso ocorre, a razão provavelmente está na pergunta. É importante sempre lançar para a classe questões abertas, que exigem reflexão e posicionamento para respondê-las. Elas estimulam os alunos a sair da zona de conforto e desenvolver o raciocínio. Além disso, respostas mais completas favorecem a articulação de pensamentos e a oralidade. Mas não espere, de imediato, um discurso pronto e articulado. Muitas vezes, você vai ter de construir a resposta com a criança. Um modo de fazer isso é comentar o que algum colega já falou sobre o tema para que ela elabore suas ideias com base nisso.

Há crianças com deficiência na sala
Para ajudá-las a realizar as atividades, providencie com antecedência recursos e materiais adaptados de acordo com a dificuldade de cada uma delas. O primeiro passo é identificar o que pode ajudá-las a aprender. Se sua escola conta com salas de atendimento educacional especializado (AEE), trabalhe em parceria com o responsável por ela. Ele sabe como desenvolver formas variadas de ensinar seus alunos. Se essa estrutura não está disponível, compartilhe suas dúvidas e o planejamento com a equipe gestora para pensarem em conjunto na maneira mais adequada de atendê-los.


A turma resiste
a uma atividade nova. Ilustração: Pedro Hamdan
A turma resiste a uma atividade nova

A falta de familiaridade com uma proposta ainda desconhecida pode deixar os alunos apreensivos e com receio. Isso, porém, não pode impedir você de apresentar novas situações a eles. Se os objetivos estão claros, persista na ideia, mas tenha paciência para ajudar o grupo a se adequar ao que foi pedido. Muitas vezes, um período de adaptação é necessário. Marci já recebeu crianças que se negavam a escrever porque não sabiam. "Eu explicava que os pequenos escrevem de forma diferente dos adultos e incentivava todos a fazer do próprio jeito. Isso dava tranquilidade a eles para começar e logo estavam avançando."

A classe está muito adiantada

Se você não conhece os estudantes, pode acabar incluindo no planejamento conteúdos que eles já sabem. Por isso, as avaliações diagnósticas são tão importantes. Elas mostram o aprendizado deles sobre o assunto e indicam se é preciso ajustar suas aulas. Valéria fez uma sondagem sobre pontuação e viu que todos já usavam com propriedade pontos, vírgulas e travessões, por exemplo. Fez, então, a sistematização no quadro. "Pedi que explicassem a função dos sinais de pontuação em frases do texto usado no diagnóstico e dessem exemplos que confirmassem as conclusões. Isso serviu de revisão." Depois disso, ela reorganizou o plano adiantando outros temas.

De que maneira agir diante do inesperado

O professor tem de dar conta do conteúdo e dos imprevistos em sala, mas tudo varia conforme as circunstâncias. Como nem sempre é possível antecipar as atitudes dos alunos, saiba o que fazer em alguns casos



Falta tempo para terminar a atividade. Ilustração: Pedro Hamdan
Falta tempo para terminar a atividade

Mesmo com planejamento, por vezes a aula não é suficiente para concluir a proposta. "Se isso acontecer, é necessário ter clareza do que são atividades estruturantes - essenciais para o desenvolvimento do conhecimento - e complementares", diz Vasconcellos, do Libertad. No primeiro caso, reveja o que foi previsto e dê continuidade ao trabalho no outro dia. Se a proposta interrompida for complementar, uma opção é pedir que a turma termine em casa. De todo modo, reserve uns minutos na aula seguinte para voltar ao assunto. Isso evita que as crianças deixem de dar atenção à tarefa de casa.

Uma criança se nega a participar da aula
Converse com ela para saber o motivo, como ter discutido com um colega ou não ter compreendido o conteúdo, por exemplo. Foi o que ocorreu com um aluno de Valéria que se recusou a participar de uma atividade de leitura por não se interessar pelo material, parlendas e contos. Ela adaptou o planejamento e utilizou outros textos para incentivá-lo a ler. "Preparei desafios matemáticos que tinham de ser interpretados e li com ele textos científicos e regras de jogos de raciocínio. Depois de ultrapassar essa barreira, retomei os outros gêneros textuais."

Alguns estudantes se desentendem
Conflitos sempre vão surgir durante as aulas. Além de parar a briga, você tem de ajudar a resolvê-la. "A solução não é punir, mas ouvir o agredido e o agressor e mediar o diálogo", diz Ana Maria Falcão de Aragão, da Faculdade de Educação da Unicamp. Assim, eles refletem sobre o que levou ao desentendimento, como lidaram com ele e as consequências. Isso evita que o mal-estar se mantenha e interfira na dinâmica da sala. Carla, em alguns casos, pede que todos debatam a questão, focando o problema, e não uma ou outra criança. "Todos precisam fazer uma autoanálise para mudar de 

comportamento."
Os agrupamentos
não funcionam. Ilustração: Pedro Hamdan
Os agrupamentos não funcionam

Para montar equipes, além de levar em conta o conhecimento de cada aluno, é importante considerar os perfis e as relações sociais. Nem sempre é possível saber como duas crianças agirão juntas, mas cabe a você ensinar todas a trabalhar em conjunto, até mesmo com quem não se dá bem. Na primeira vez que Valéria faz os agrupamentos, ela deixa a escolha de parceiros livre para identificar os círculos sociais. As informações são úteis para pensar nas intervenções que fará visando tornar os próximos grupos produtivos, mesmo se formados por aqueles que não têm afinidade entre si.

A proposta não envolve a turma

"Se a atividade apresentada não despertou o interesse de nenhum aluno, é porque não é boa", analisa Rosaura. Quando isso acontece, reflita sobre ela e avalie quais aspectos não funcionaram, o que os estudantes esperavam do tema e o que foi positivo e negativo. Isso ajuda a dar um melhor direcionamento à sua prática.

Um aluno tem uma atitude inadequada
"Às vezes, a relação entre o professor e os alunos é ruim porque ele não conhece para quem leciona", afirma Ana Maria. Ouvir a meninada e valorizar suas opiniões minimiza problemas de indisciplina. Em momentos de desrespeito, no entanto, é preciso conversar individualmente. Marci diz que é comum os pequenos terem dificuldade em esperar a vez em atividades coletivas e aí chegam a ser agressivos. "Não quero castigar ninguém, mas fazer todos pensarem sobre suas ações." O clima de sala de aula é uma responsabilidade do professor e é preciso cuidar dele.


Você é surpreendido por uma pergunta. Ilustração: Pedro Hamdan
 

Você é surpreendido por uma pergunta

Não dá para deixar o aluno sem resposta. Se isso acontece, ele se sente desvalorizado e não vê na escola um lugar para aprender. Ser sincero é um ponto básico. No caso de não saber a resposta de uma questão, diga a verdade, pergunte o que ele conhece sobre aquilo e comprometa-se a buscar mais informações sobre o assunto. Se a dúvida desencadear um debate produtivo entre toda a sala, anote-a para incluí-la no seu planejamento. "Essa atitude mostra como é ampla a dinâmica do conhecimento", enfatiza Vasconcellos

Fonte de pesquisa: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/gestao-sala-aula-voce-seguro-classe

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Produção Textual : Dicas criativas

Muitas crianças têm dificuldades para produzirem textos criativos porque não tiveram acesso a livros, outras porque não tiveram acesso a contação de histórias ou não foram estimuladas a criar. Então , eis mais uma missão para os professores. Não basta que alfabetizem, que ensinem a ortografia e a estrutura textual, os professores devem , também , ajudar as crianças a aumentarem a imaginação, a escreverem com criatividade e  prazer.
Com o propósito de auxiliar meus  amigos  educadores listei 10 dicas úteis para desenvolver a imaginação e a produção de textos. Veja:


   1- Leitura e contação de histórias
     Em primeiro lugar, as melhores maneiras de ampliar a imaginação das crianças são : contação de histórias e estímulo à leitura. 
   Permitir que as crianças conheçam histórias diferentes das suas, que viagem por lugares nunca vistos antes pelos próprios olhos e sentir emoções junto aos personagens: dão asas as imaginação. Por isto, conte histórias para elas. Dramatize, cante, leia, e deixe-as ler livremente.

2- Participação nas histórias
     Contar uma história com a participação das crianças é muito divertido. Questione-as  sobre a reação dos personagens, sobre sentimentos e valores. Peça para elas criarem um início ou um fim para a história, para refletirem sobre a mensagem transmitida pela mesma.

3- Produção de história
     Comece pedindo para as crianças  relatarem uma série de atividades realizadas em um dia ou contarem uma história pessoal, então, depois peça para que contem ou escrevam uma história fictícia. Desafie-as a criarem histórias cada vez mais criativas e ajude-as a colocarem no papel.

4- Avaliação de histórias
     Oriente os pequenos a lerem o que escreveram e avaliarem seus textos. Diga a eles que podem sempre melhorar suas produções corrigindo ou trocando algumas palavras, mudando o rumo de uma história ou gênero textual.

5- Troca de textos
     Peça para os alunos trocarem os textos com os amigos, isto estimulará a leitura, a imaginação, a crítica, a autoavaliação e a troca de experiências. Ao ler o texto do amigo, a criança estará aprendendo a avaliar e a ser avaliada, mas para isto é importante que o (a) professor(a) ensine o valor do respeito aos amigos, às suas idéias e suas respectivas criações.

                                                 
6- História coletiva
     A experiência da construção de um texto coletivo pode ser mais marcante do que você imagina. Esta atividade, além de, motivar o entrosamento da turma, desafiar a solução de problemas e estimular a criatividade pode ter uma experiência enriquecedora. O resultado de um texto coletivo é sempre uma surpresa, pois podem aprofundar seriamente sobre um tema; podem transformar o texto em uma comédia ou drama. 
     Mas atenção: é importante que o professor estabeleça algumas regras e esteja por perto orientando os alunos a respeitarem a diversidade de idéias.

7- Texto coletivo com um tema específico
   Esta atividade estimula o debate de idéias, a criticidade e a criatividade. Assim, como a atividade anterior , é preciso que o professor estabeleça algumas regras.

8- Produção de textos a partir de imagens
     A observação de pinturas, desenhos ou paisagens podem excitar a imaginação das crianças e estimular a criação de ótimos textos.

9- Produção de textos com música
     Ouvir música clássica na aula pode relaxar, mexer com as emoções, estimular a criatividade e tirar o bloqueio da escrita de algumas crianças. 

10- Escrever por prazer
    A motivação nas aulas de produção textual é importante porque o ato de escrever "bem" deve ser relacionado com o prazer de comunicar-se através da escrita. Escrever sem emoção é cansativo e desgastante. Então, semeie o prazer de ler e escrever, ensine a importância dos livros e histórias, dê mais valor para a qualidade da exposição dos pensamentos do que para as regras de português. Dê liberdade para as crianças escreverem sempre que sentirem vontade. 

CARTA ABERTA EM DEFESA DO PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA


O Fórum das universidades públicas participantes do PACTO NACIONAL
PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA vem, por meio desta, defender o
PNAIC e prestar esclarecimentos acerca de seu funcionamento e avaliação, em resposta
a críticas que vêm sendo externadas por alguns setores da sociedade.
As tentativas de desqualificação do trabalho desenvolvido no âmbito do PNAIC
são inconsistentes e não há, de fato, um debate aprofundado acerca de quais seriam os
reais motivos para os ataques recentes empreendidos não por professores, mas por
setores da mídia e alguns setores da sociedade. As informações passadas são
equivocadas, evidenciando falta de conhecimento acerca da proposta pedagógica e do
funcionamento desta iniciativa de formação de professores alfabetizadores. Ao criticar o
PNAIC, imputando a ele a responsabilidade de resolver em dois anos a dívida histórica
que este país tem com o direito à alfabetização, os opositores manifestam opiniões
pouco embasadas nos fatos.
A formação continuada dos professores alfabetizadores no âmbito do PNAIC foi
iniciada em 2013, com continuidade em 2014 e 2015. Foram atendidos, em cada ano,
mais de 300.000 professores. Nunca houve, na história da educação brasileira, uma ação
com tamanha abrangência e tão fortemente voltada para o fazer pedagógico do
professor. Desse modo, podemos apontar um primeiro aspecto positivo: a garantia do
direito à formação continuada a todos os professores alfabetizadores, tendo como
referência a realidade da sala de aula.
Tal abrangência só foi possível porque o PNAIC inclui a qualificação de
profissionais efetivos das secretarias de educação municipais e estaduais, que,
assumindo as funções de orientadores de estudo e coordenadores locais, são
responsáveis pela formação dos professores dos três primeiros anos do Ensino
Fundamental, nos próprios municípios. Desse modo, há um regime de colaboração entre
os entes federados (Ministério da Educação, Secretarias Municipais e Estaduais de
Educação) e as universidades públicas envolvidas, de modo que, em cada estado e
município, os encontros de formação são planejados considerando-se as peculiaridades
e necessidades locais. As ações de formação são concebidas e executadas por todos e
não apenas pelas equipes das universidades. Desse modo, todos são responsáveis pelas
conquistas realizadas. Nisso reside um segundo aspecto positivo: há, concretamente, um
Pacto entre entes federados, que vêm empreendendo esforços para a melhoria da
qualidade da educação.
Um terceiro aspecto a ser considerado é que não há obrigatoriedade de utilização
de um material didático específico. Na formação, são realizadas reflexões sobre
diferentes estratégias de ensino e de materiais, de modo a contemplar variados modos de
ensinar e de aprender. As secretarias de educação podem adquirir materiais como jogos,
livros, revistas, jornais. O MEC também tem colaborado, disponibilizando o material de
referência da formação e distribuindo livros didáticos, livros de literatura, jogos, dentre
outros. Os professores podem produzir e selecionar materiais diversos.
Assim, programas de aquisição de livros (literatura e didático) que garantem o
acesso dos estudantes a material de qualidade são discutidos no interior da formação, as
políticas são mais bem compreendidas e isso ajuda a potencializar o seu uso. Não há, no
âmbito do PNAIC, interesses comerciais que obriguem secretarias de educação a
comprar nenhum pacote fechado de materiais e nem prescrição aos professores do que
precisam realizar em sala de aula. Os professores são formados para ganhar autonomia e
terem consciência do que estão fazendo. Espera-se, no PNAIC, que os professores 
ampliem conhecimentos e possam cada vez mais realizar um ensino consistente,
refletindo sobre suas práticas para, a partir delas, construir saberes, num processo
ininterrupto.
Um quarto aspecto a ser destacado é que o PNAIC apresenta objetivos ligados
aos direitos de aprendizagem que têm ajudado os professores a definir metas e as redes
a desenvolverem suas propostas curriculares com base em um repertório comum.
As universidades responsáveis pela formação dos orientadores de estudo atuam
juntas, em seminários periódicos, para refletir sobre temas ligados ao ensino nesta etapa
de escolaridade e produzir os materiais de referência da formação dos professores.
Desse modo, há um trabalho conjunto de produção de um material básico, ao qual são
agregados novos materiais, em cada estado, para contemplar temáticas e experiências
locais. Os autores dos materiais são pesquisadores de diferentes instituições, com
experiência em formação docente, além de professores da Educação Básica, que
socializam experiências de sala de aula. Desse modo, há articulação entre ensino,
pesquisa e extensão nas instituições públicas de ensino superior participantes.
Nos dois anos de execução do PNAIC foram realizadas avaliações permanentes.
Os professores respondem mensalmente um questionário, julgando a formação recebida
quanto a diferentes critérios: distribuição do tempo, volume de informações
apresentadas, relevância dos conteúdos abordados, aplicabilidade para a prática
profissional. Com pequenas variações entre os estados, os resultados dessas avaliações
feitas pelos docentes mostram que há grande aceitação do PNAIC. Em todos os
critérios, as médias alcançadas têm sido em torno de 9,0.
As universidades também utilizam instrumentos de avaliação específicos, nos
quais têm sido apontados alguns aspectos muito positivos, como a qualidade dos
materiais de formação utilizados, a articulação entre a teoria e a prática, a diversidade de
temáticas tratadas, considerando-se a complexidade do trabalho do professor
alfabetizador, além do respeito aos professores como profissionais.
Algumas universidades também têm desenvolvido pesquisas no âmbito do
PNAIC, identificando mudanças qualitativas nas práticas dos docentes, que condizem
com seus depoimentos e relatos que têm sido narrados em seminários anuais de
socialização de experiências.
Não há, no entanto, ainda, uma avaliação relativa aos impactos nas
aprendizagens das crianças. A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) é a primeira
experiência brasileira de avaliação das crianças concluintes do ciclo de alfabetização.
Ela teve início em 2013, ano em que o PNAIC começou. Foi repetida em 2014.
Portanto, o tempo ainda é muito curto para se ter alguma informação sobre avanços
nesta área e, é necessário se registrar, a alfabetização é um direito que tem sido negado
na nossa história.
Segundo o IBGE, em 1920, 70% dos adultos com 15 anos ou mais eram
analfabetos. Em 2009, 8,9% da população com 10 anos ou mais era analfabeta. Vê-se,
portanto, que houve uma grande redução na quantidade de analfabetos entre adultos,
embora o país ainda não esteja garantindo esse direito a todos os cidadãos. É necessário
maior investimento para que todos os adultos possam ter acesso a este conhecimento.
É preciso ressaltar que também houve mudança e ampliação no que se considera
alfabetização, hoje pensada como domínio do sistema de escrita para seu efetivo uso em
leitura e produção de textos. Assim, nossas expectativas sobre a aprendizagem de
crianças de 08 anos mudaram, embora algumas propostas de formação de professores e
materiais didáticos oferecidos às redes públicas continuem a adotar concepções que
restringem o conceito de alfabetização à aprendizagem de um suposto código.
Até 2012 não se tinha dados sobre a situação de crianças aos 8 anos de idade,
pois não havia avaliações como a ANA, uma avaliação em larga escala que informa
sobre os níveis dos estudantes por escola, município ou estado. Portanto, não podemos
indicar claramente quais avanços podem ter ocorrido nos últimos anos.
A apresentação dos resultados da ANA é feita agrupando-se as notas por
intervalos.
No caso da leitura, a ANA trabalha com metodologia de múltipla escolha e com
habilidades que podem ser medidas com essa metodologia, deixando de fora outras
habilidades também importantes, mas que não podem ser avaliadas por meio de
questões de múltipla escolha.
São propostos quatro níveis de leitura. O primeiro nível é composto tanto por
estudantes que não conseguem ler palavras, quanto pelos que conseguem ler palavras,
mas não conseguem ler textos.
A junção desses dois perfis em um só nível dificulta o debate sobre o
diagnóstico feito, pois tradicionalmente as crianças que sabem ler e escrever palavras
são consideradas alfabetizadas. Assim, em uma perspectiva tradicional no nível 1
estariam as crianças não alfabetizadas e as alfabetizadas. Muitas propostas de
alfabetização, sobretudo centradas na memorização de letras, fonemas e sílabas
apresentam tal concepção. No entanto, no PNAIC, é utilizada uma concepção de
alfabetização que só considera a criança alfabetizada quando ela é capaz de ler textos.
Desse modo, no PNAIC teríamos como nível mínimo esperado o nível 2, em que
as crianças são capazes de ler textos curtos, identificando informações e reconhecendo
as finalidades dos textos. Assim, 75,87% poderiam ser consideradas alfabetizadas em
2013 e 77,79% em 2014. Assim, em apenas um ano, o aumento foi de 1,92%. Tal
diferença pode, a princípio, parecer muito pequena, mas tratando-se de avaliações em
larga escala, sabe-se que as mudanças não se dão, via de regra, de forma rápida.
Os níveis 3 e 4 são os das crianças que já têm um domínio maior na leitura,
lendo textos mais longos e complexos. É o que no PNAIC temos insistido em colocar
como metas a serem atingidas em médio e longo prazo. Em 2013, 42,77% das crianças
atingiram tal nível e em 2014, 43,83%.
Em produção de textos, os resultados são agrupados em cinco níveis. No
primeiro, estão as crianças que não escrevem palavras. Essas são as consideradas não
alfabetizadas por autores de diferentes abordagens teóricas.
No nível 2, as crianças escrevem palavras, mas não conseguem produzir textos.
Em uma abordagem tradicional, seriam consideradas alfabetizadas. Para as equipes
executoras do PNAIC, tais crianças não podem ser consideradas alfabetizadas, pois se
espera que elas sejam capazes de escrever textos.
É a partir do nível 3 que estão as crianças que escrevem textos. Em 2013, não
houve avaliação das capacidades de escrita de textos. Em 2014, 73.32% estão nesses
níveis. Não há como dizer se houve, nos últimos anos, algum progresso, pois, como foi
dito, nunca houve avaliação desse tipo no país.
Nos encontros de formação do PNAIC, as discussões conduzem os professores a
pensarem que é importante melhorarmos cada vez mais as capacidades de escrita das
crianças. No entanto, é importante considerar que não se espera de uma criança do ciclo
de alfabetização que ela domine a norma ortográfica, pois essa aprendizagem ocorre
durante todo o Ensino Fundamental. O mais importante é que ela produza textos com
sentido, com clareza e que atendam a diferentes finalidades na sociedade, para que não
tenhamos, adiante, os ditos analfabetos funcionais, tão presentes ainda entre adultos na
nossa sociedade. Esses analfabetos funcionais seriam aqueles que conseguem ler e 
escrever palavras, mas não são capazes de compreender e produzir textos mais
complexos.
Abordagens metodológicas centradas apenas no ensino de letras, fonemas,
sílabas e palavras não auxiliam os estudantes a chegarem aos níveis mais elevados de
escrita. Por isso, no PNAIC, busca-se aprofundamento de estudos e planejamento de
situações de ensino em que tanto seja garantida a aprendizagem do sistema de escrita e
ortografia, quanto o desenvolvimento de capacidades de leitura e produção de textos.
Os dados da ANA, portanto, não podem ainda ser usados para uma avaliação de
avanços, ou não, no processo educativo, embora sinalize que ainda temos muito que
fazer para garantir uma alfabetização plena a todas as crianças. Estamos com mais de
20% das crianças brasileiras terminando o ciclo de alfabetização sem conseguir ler e
escrever textos. É preciso energia concentrada para que os direitos dessas crianças
sejam garantidos e que as demais crianças alcancem níveis cada vez mais ampliados de
domínio da leitura e da escrita.
As reflexões acima sobre os resultados da ANA ajudam a entender que não é
possível, neste momento, fazer relação direta entre o que foi encontrado e o que vem
sendo desenvolvido no âmbito do PNAIC. Sem dúvidas, ainda há muito a ser
conquistado para que se garanta o direito a uma alfabetização plena de todos os
brasileiros. O PNAIC, com certeza, tem muito a contribuir.
Qualquer política de formação de professores precisa de tempo para consolidar
práticas e aprofundar conhecimentos. Os problemas educacionais brasileiros são
resultados de uma longa história de descaso. Não se pode atribuir possíveis resultados
negativos a políticas recentes. Qualquer interrupção na rede de trabalho que se formou
pode colocar em risco o potencial transformador do PNAIC, que se estabeleceu como
uma experiência bem-sucedida de regime de colaboração entre os entes federados e as
universidades públicas. O PNAIC precisa ser concebido como uma Política de Estado,
para que não fique vulnerável a qualquer instabilidade do País. Deve ser encarado como
uma conquista brasileira e como um esforço coletivo que está acima de interesses
particulares.
É preciso também enfrentar outros problemas que têm impedido, ou dificultado,
a realização da tarefa que temos que realizar. Ações que garantam a melhoria da
formação inicial de professores e sua oferta pública, a ampliação da jornada escolar das
crianças, a melhoria salarial dos profissionais da educação, a garantia de melhores
condições de trabalho, com tempo suficiente para que os docentes possam planejar a
ação didática, elaborar materiais, desenvolver projetos especiais para as crianças que
estejam precisando, não podem ser desconsiderados no debate sobre os resultados das
avaliações.
Universidade de Brasília
Universidade do Estado da Bahia
Universidade do Estado de Minas Gerais
Universidade Estadual de Campinas
Universidade Estadual de Maringá
Universidade Estadual de Montes Claros
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal de Alagoas
Universidade Federal de Goiás
Universidade Federal de Juiz de Fora
Universidade Federal de Mato Grosso
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal de Ouro Preto
Universidade Federal de Pelotas
Universidade Federal de Pernambuco
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Universidade Federal do Acre
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Universidade Federal do Maranhão
Universidade Federal do Oeste do Pará
Universidade Federal do Pará
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal do Piauí
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri